domingo, 21 de agosto de 2011

Incisão da (Aparente) Existência

Há realmente pessoas que acreditam em mim, pessoas que acreditam nas minhas qualidades, pessoas que às vezes até ficam impressionadas com o meu bom senso e julgamento das situações. Racional e pouco impulsivo, isso é o que sou. Não, minto, sou impulsivo, mas normalmente tenho a razão do meu lado para me controlar. Mas queres saber uma coisa? Acho que é só uma fachada minha, porque gosto de parecer uma pessoa controlada e pouco emotiva. Emoções poucas vezes me levaram a algum lado. Sou frio e calculista. Dá para perceber isso facilmente. Só há um momento em que pouco me controlo, na minha ironia e sarcasmo, que provavelmente são defesas. Não é o que dizem? 
Não escrevo isto para teres pena de mim, nem para me tentares contradizer, escrevo isto mais para mim do que para ti. Não quero me elogies, eu não sei lidar com isso. Conheço as minhas qualidades e os meus defeitos, acho que até sei melhor os defeitos, já que as qualidades são facilmente simuladas. Conheço tão bem a maioria dos meus defeitos, que sei perfeitamente quando vou fazer asneira. Agora tu dizes que eu acabei de dizer que não sou impulsivo e que sou racional, por isso como é possível que me deixa levar a fazer asneiras. Muito simples, eu às vezes gosto de provocar, o meu ser calculista vai ao ponto de escolher as asneiras que faz. 
Sou uma espécie de observador de reacções humanas, penso constantemente nos prós e nos contras, e percebo que arriscar pode compensar, se não compensar que se lixe, falhar não é assim tão mau quanto isso. Levantar e cair, levantar e cair. As pessoas esquecem ou diluem as memórias, eu não me permito essa regalia. Esquecer. 
Demasiado pessoal? Podia continuar com isto por vários parágrafos, este egocentrismo desenfreado. Esta procura pelo controlo do eu, o calcular e medição de atitudes. Talvez tenha um síndrome qualquer ainda por descobrir, que vai ter um nome de um cientista escandinavo. Não me preocupo muito comigo, sou feliz, e sou capaz de escrever um texto completo que revela um grande defeito meu. Tu sabes qual é.

12 comentários:

ana disse...

Texto interessante. Dá-te uma certa transparência.

Inês disse...

que sorte, quem me dera ter essa câmara

David Pires disse...

ana, eu sou fechado, por isso aproveita :)

Márcia Lourenço disse...

Obrigado pelo voto David. :)
Tenho duas analógicas e duas digitais :)

David Pires disse...

Márcia, nada! :)

Ziza's N.E.M. disse...

eu chamaria a isto pragmátismo ... ou chegou-se a uma etapa da vida que não vale apena demonstrar a utilidade de agir, consoante um tolo apaixonado age . tudo depende do reportório e antecedentes ou experiências que tenhas tido .. talvez =)

David Pires disse...

Ziza's N.E.M., ena, um comentário de jeito, ainda hoje pensava que já não havia ninguém que me fazia pensar minimamente com um comentário (sem querer criticar os meus outros leitores).
Pragmático... Talvez um bocadinho. Estudei Peirce e nunca me apercebi disso. Mas demostrar a utilidade de agir? Demostrar talvez, mas agir de certeza.

Ziza's N.E.M. disse...

Eu não estudei Pierce e nem sei quem é x), mas gosto de pensar e saber interpretar a mente humana, apesar de ter más notas a Português xD Não percebi bem o que queres dizer por "demontrar talvez, mas agir de certeza" . É o Pierce Brosman ? xp

David Pires disse...

Pierce Brosman?! Que escândalo! Charles Pierce.
Olha o que tu não percebeste, eu também já não percebo muito bem...

Ziza's N.E.M. disse...

Acontece haver dias assim que niguém se percebe e nada percebemos... Faz um relato sobre o Charles Pierce então se bas fabor para puder conhece-lo .. =)

David Pires disse...

Não posso fazer um relato sobre o Charles Pierce, não é das minhas personagens preferidas, principalmente porque já o estudei numas cinco disciplinas, por isso, não vou falar dele.

Ziza's N.E.M. disse...

ok, lá pesquisarei sobre ele ... =)