sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Correria Desenfreada Interrompida


Aprendi a andar aos nove meses. Se há coisa que sei fazer é andar e correr, como não tenho problemas de equilíbrio também sou bastante bom na bicicleta. No fundo não tenho problemas com actividades físicas simples, e até me considero razoavelmente bom. Como das melhores coisas que faço é correr, é raro tropeçar e cair quando o faço. Posso escorregar, mas isso já são factores externos, e mesmo quando escorrego tenho a maioria das vezes a capacidade de me equilibrar, porque para correr bem, também é preciso ter bom equilíbrio. 
Por outro lado, tenho problemas de coordenação, que já estão muito, mas muito melhores. Como é que se corre sem coordenação? Não sei, mas quando resolvi esse problema, passei a correr ainda melhor. Mas claro que o problema só foi resolvido em relação à corrida, porque eu não tenho nenhum especial talento para jogar outro desporto qualquer, não tenho nenhum dom com os pés, ou com as mãos. A minha mais valia sempre foi a corrida, em qualquer desporto (que meta corrida claro, para andar a cavalo ou remar de nada me serve, não ter armes!). 
Apesar de ter sido um miúdo bastante enérgico nunca liguei muito a desporto. Fiz quatro anos de natação, que muitas vezes tentava inventar motivos para não ir. Fiz uns meses de vela, mas comecei no Inverno e não foi muito motivador, principalmente porque odeio o frio de molhado, e no início é raro nos deixarem velejar, por isso ficava ao frio na lancha. Ainda pensei inscrever-me no ténis, mas não era compatível com os meus horários e era longe, eu também não fiz o grande esforço para a coisa acontecer. Enfim, não era rapaz de desporto só por si.
Nunca tinha visto uma única prova de atletismo quando fui ao meu primeiro treino, não sei bem como é que nunca tinha visto, já que era das coisas que eu mais gostava de fazer: desafiar alguém para correr contra mim. Porquê? Simples, ninguém me ganhava. E no atletismo percebi porque é que nunca tinha ligado a desporto, porque para mim participar não vale nada, eu queria ganhar, e foi isso que me fez continuar. Desde a minha primeira prova em iniciado, até aos nacionais em júnior, eu só tinha um objectivo: ganhar. 
Hoje em dia, correr ainda é a única coisa de jeito que faço (para além de escrever “ironia”). Quando alguém me diz que o filho tem 13 meses e está a dar os primeiros passos (isto com uma cara de felicidade imensa) sem cair, eu penso “o seu filho tem problemas!”. Quando passam pessoas por mim na sua corrida diária, só me apetece corrigir os seus movimentos. Desafiar pessoas para corridas ainda me passa muitas vezes pela cabeça, mas já ninguém tem dez anos, ninguém aceita.
Posso ficar minimamente feliz quando corro uma hora e volto a sentir a adrenalina, mas já nada me deixa feliz como uma bela corrida de 100 metros, onde esquecia tudo e a única coisa que via era a meta. Não cheguei a fazer uma última corrida, mas ainda tenho muito que andar.

7 comentários:

ana disse...

Eu faço uma corrida contra ti! Correr era das poucas coisas que gostava nas aulas de Ed. Física. E normalmente era a melhor rapariga a correr. Não te ganhava com toda a certeza, mas era muita giro :D

martolas disse...

eu também sei escrever ironia!

aryabodhisattva disse...

À primeira leitura vi "Aprendi a andar nove meses".
Pensei logo "Que aconteceu? Coitadito!"

Sinceramente, eu não me importava nada que alguém me corrigisse os erros/vícios que terei ao correr. Era como uma mini-sessão grátis de personal training.

David Pires disse...

ana, estás um bocado longe. Apesar de este ano desceres no pais.

martolas, estás quase a ser expulsa daqui!

aryabodhisattva, Isso era mau! Coitado de mim mesmo. Corrigir vícios é difícil!

Rata disse...

Era/sou (embora já não muito) completamente o contrário. Gostava e via campeonatos, mas não gostava de praticar. Ou vá, diga-se que o que queria aprender me foi sempre negado.
Exemplos? Está bem eu dou-te exemplos: surf, patinagem artística, snowboard, ballet, ténis,...

David Pires disse...

Não se nega desportos às pessoas!
Há desportos que eu também sempre tive curiosidade, mas nunca jeito, por isso não me meti na coisa.

Rata disse...

É não é? Vem dizer isso a quem me sustenta.